Malta: dicas para planejar a sua viagem

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Difícil imaginar que um país, que não passa de um pontinho no mapa, no meio do Mar mediterrâneo, entre a Sicília (Itália), e a Tunísia (África), possa surpreender tanto. Apesar do tamanho minúsculo (são apenas 316 km²), Malta está cheia de lugares históricos, paisagens estonteantes e muita cultura e tradição. Eu mesmo não o imaginava assim até conferir.

Aliás, confesso que o que mais me motivou a conhecer este país foi quase que exclusivamente as belas imagens. Mas essa é só uma das muitas facetas do destino. Portanto, aqui vai a primeira dica: antes de embarcar, faça o dever de casa e pesquise sobre a sua história e geografia, a fim de entendê-lo e aproveitar como se deve.

Malta é, na verdade, um arquipélago, formado por cinco ilhas, com apenas três delas habitadas: Malta, a maior e que dá nome ao país, Gozo e Comino, onde vivem aproximadamente 416 mil pessoas. As outras duas são Filtla e Cominoto.

Mapa com a localização de Malta

Um pouco de história

Em linhas gerais, esta pequena nação é fruto de uma mistura cultural intensa. Os primeiros habitantes datam do ano 5.200 a.C., o que explica os resquícios de templos megalíticos por lá. Entre os seus conquistadores estão os antigos habitantes da Sicília, os de Cartago, os fenícios, romanos, árabes, normandos e ingleses. A sua independência aconteceu somente em 1964, quando saiu do então domínio britânico.

Nesse ínterim, também passaram por Malta, os Cavaleiros da Ordem de São João, instituição religiosa com braço militar, o que explica a forte crença cristã, mesmo depois da dominação islâmica durante mais de dois séculos. Não é à toa que o país abriga 365 igrejas, o equivalente a uma para cada dia do ano. Além disso, o cristianismo também está presente na bandeira, com a famosa Cruz de Malta.

Outra herança dos conquistadores, nesse caso dos árabes, é a cor quase que monocromática de terra e areia das cidades maltesas, com apenas as sacadas das casas em madeira colorida se destacando. Estes também deram sua contribuição para o idioma local, já que o maltês, umas das línguas oficiais, mistura o árabe com o italiano, segundo me contaram.

Enquanto isso, os ingleses deixaram marcas como as cabines telefônicas vermelhas, no sentido do trânsito – visto que os malteses adotam a mão direita -, e ainda no idioma: o inglês também é falado no país. Tanto que Malta é muito buscada para o aprendizado da língua da rainha.

Moeda, visto e imigração

Assim como seus vizinhos de continente, Malta é integrante da União Europeia, pertence à Zona do Euro e também faz parte do Tratado de Schengen (de livre fronteiras), o que significa dizer que além de os brasileiros não precisarem de visto em uma viagem a turismo de até 90 dias, se você fizer imigração em outro país europeu signatário deste acordo, não precisará mais se apresentar às autoridades maltesas ao chegar lá.

Uma vez dado um breve contexto do que você vai encontrar em Malta, vamos às dicas para ajudar a planejar a sua viagem.

Como chegar a Malta

A maneira mais prática é de avião, mas não há voos direto do Brasil. É preciso viajar até alguma grande cidade do continente europeu, como Paris, Londres, Barcelona, Milão ou Roma. Eu, por exemplo, voei até Paris pela TAP e de lá tomei um voo da Air France, operado pela Air Malta, única companhia aérea de origem maltesa.

Para consultar as opções de voos, partindo da sua cidade ou de alguma cidade da Europa, sugiro utilizar comparadores de preços como Skyscanner, Kayak, Momondo ou Voopter, a fim de facilitar a pesquisa.

O desembarque ocorre no único aeroporto do país, localizado na cidade de Luqa, situada na Ilha de Malta, a oito quilômetros de Valleta, a capital.

Do aeroporto é possível chegar a Valleta ou às cidades de Sliema e St. Julian’s (as mais turísticas) de transporte público. A Malta Public Transport opera quatro linhas de ônibus desde o aeroporto. A linha X2 (das 6h às 23h) leva a Sliema e St. Julians, já a X4 (das 05h25 às 22h35) passa por Valleta. Os bilhetes custam durante o dia 1,5 euro, no inverno, e 2 euros, no verão, pagos diretamente ao motorista. Durante a noite saem por 3 euros.

O tempo de viagem para o centro de Valletta é de aproximadamente 25 minutos e de 45 minutos a uma hora para as demais. Dependendo do horário de chegada ou saída do seu voo (compare com os horários de funcionamento das linhas) é a opção mais barata. Há uma parada de ônibus bem em frente ao embarque e outra na saída do desembarque.

Já os táxis operam 24 horas por dia e é possível reservar um em balcão específico no saguão de desembarque. A tarifa até o centro de valeta é de €15 e para Sliema em torno de 20 euros.

Outra opção são os transfers, que podem ser agendados com o seu hotel ou, ao chegar, por meio do balcão da Malta Transfer no aeroporto.

Onde se hospedar

A rede hoteleira, incluindo os hostels, se concentra em Valleta, Sliema e St. Julian’s, cidades posicionadas uma ao lado da outra. Aliás, Malta é um país tão pequeno, que suas cidades tem o tamanho de bairros. Nessa região, dificilmente se percebe que deixamos uma e entramos na outra. Para você ter uma ideia, Valleta, tem 600 metros de largura e um quilômetro de extensão.

Mapa de Malta com a localização das principais cidades e ilhas Arte: Blog Andarilho

No entanto, a maioria dos turistas se acomoda mesmo é por Sliema ou St. Julian’s, onde há maior oferta de comércio, restaurantes e bares bacanas pela orla. Seguem uma breve descrição de cada uma dessas cidades para você possa decidir aonde ficar:

Sliema

É hoje uma das principais áreas comerciais da Ilha, com diversos hotéis e shoppings modernos. Ela também oferece uma noite animada, com ótimos bares e restaurantes, ideal para os turistas.

Orla de Sliema, em Malta Foto: Anchieta Dantas Jr.

St. Julian’s

Está localizada na costa ao norte da capital Valletta e fica vizinha a Sliema, acessível em curto trajeto de ônibus (10 minutos) ou por meio de uma agradável caminhada pela orla, o que dura cerca de 20 a 30 minutos. Também tem uma noite animada, com excelentes bares e restaurantes. É nela onde está Paceville, área onde ficam as boates mais badaladas de Malta.

Baia de St. Julians, em Malta Foto: Anchieta Dantas Jr.

Valletta

Menos animada à noite que Sliema e St. Julian’s, reúne muitos monumentos e atrações turísticas, sendo o principal centro financeiro do país.

Ruas de Valeta, capital de Malta. Detalhe das sacadas em madeira colorida das casas Foto: Anchieta Dantas Jr.

Entre as três, eu optei por Sliema, por ela estar entre Valleta e St. Julian’s e por ser a partir dela que saem os passeios para as ilhas de Gozo e Comino. Além disso, há um serviço de ferry a cada meia-hora até Valleta, com a travessia durando menos do que cinco minutos. Mas se preferir é possível caminhar entre elas ou tomar um ônibus, mas o percurso se torna bem mais demorado.

Caso você queira conferir, fiquei hospedado no Two Pillows Hostel. Albergue novo, bastante limpo e agradável e que tem farto (e põe farto nisso) café da manhã ao custo de 6,50 euros. A diária em um quarto com seis camas com banheiro e ar-condicionado sai por cerca de 25 euros a cama. Mas há outras opções de quartos, inclusive duplos e individuais.

Fachada do Two Pillows Hostel, em Sliema Malta Foto: Anchieta Dantas Jr.

Interior do Two Pillows Hostel Foto: Anchieta Dantas Jr.

Ao mesmo tempo, a localização desse hostel é estratégica: está a apenas 100 metros da saída dos ferries para Valleta, dos passeios de barco para Gozo e Comino e ainda dos ônibus que fazem os tours pela ilha. E ainda tem uma parada de ônibus bem próxima, onde passa a linha que leva ao aeroporto. Além do que, está a poucos passos da orla e oferece muitos restaurantes, bares e supermercados nas redondezas.

Como circular em Malta

De ônibus

Com eles, chega-se confortavelmente a qualquer ponto da Ilha de Malta em até duas horas. É que há cerca de seis anos, a frota foi modernizada com a substituição de todos os carros que, agora, possuem ar-condicionado.

A estação de ônibus que atende os principais pontos do país fica do lado de fora do City Gate (Portão da Cidade, em tradução livre para o português) em Valleta. Estas linhas têm paradas intermediárias ao longo do percurso. Em cada ponto, você pode conferir quais as linhas que passam por ele e os horários em cada dia da semana. Atrasos podem acontecer, principalmente nas paradas pelo trajeto. E, dependendo do horário, pode ser que não haja assentos livres.

Uma coisa que ajuda bastante ao visitante é que no decorrer do percurso os nomes das paradas vão sendo mostrados em um letreiro dentro do ônibus, assim como são falados no auto-falante. Sugiro você fotografar com o seu smartphone o itinerário e os horários dispostos em cada ponto antes de entrar no veículo. Assim você vai acompanhando e ainda planeja o retorno.

E como falado anteriormente, os bilhetes custam durante o dia 1,5 euro, no inverno, e 2 euros, no verão, pagos diretamente ao motorista. Durante a noite saem por 3 euros. Valem por 2 horas, podendo usar o mesmo ticket se você tiver que trocar de linha. Consulte rotas e horários no site da Malta Public Transport. Este serviço também opera com passes. Tem um válido por sete dias com viagens ilimitadas ao valor de 21 euros.

Táxi

Malta é bem servida de táxis. Mas atenção: eles não usam taxímetro. Portanto convém acertar com o motorista antes o valor da corrida.

De carro

Com mais tempo e querendo explorar os pontos mais remotos o ideal é alugar um carro. Porém, existe uma pegadinha: em Malta se usa a mão inglesa e você pode levar um bom tempo para se acostumar a dirigir do lado invertido, ou seja, pela direita. Assim, eu não recomendo.

A pé

Indicado principalmente para circular por Valleta, dado ao tamanho da cidade e às ruas estreitas. Porém cuidado redobrado ao atravessar as ruas, lembre-se da mão inglesa.

Ônibus “hop-on hop-off”

São aqueles ônibus panorâmicos de dois andares com um deck superior aberto que percorrem as principais atrações turísticas da cidade. Geralmente, os bilhetes podem ser comprados com validade de 24 horas ou 48 horas e permitem descer e subir do veículo quantas vezes quiser.

Ônibus Hop on Hop off em Malta Foto: Anchieta Dantas Jr.

Para mim, pela primeira, esse serviço valeu à pena. Sabe por que? Embora em Malta tudo possa parecer perto, muitos pontos de interesse estão espalhados pela ilha, às vezes fora das cidades. Então, caminhar nem pensar! Além disso, você nem sempre poderá contar com um ônibus de linha ligando uma atração turística à outra na sequência desejada. Isso o fará perder tempo, pois, em alguns casos será preciso retornar ao centro de Valleta para tomar outro ônibus.

Dessa forma, com o “hop-on hop-off” o deslocamento será bastante cômodo, rápido, eficiente, além de ter um audioguia com informações interessantes sobre as atrações e o país como um todo. Em dois dias, foi possível visitar tudo o que eu planejei para ver na ilha principal com tempo de sobra.

Existem duas empresas que operam o serviço de “Hop-on Hop-off” em Malta: Citysihtseeing Malta e Malta Sightseeing. O valor do ticket é igual nas duas: 20 euros valido por um dia. Se você comprar com validade de 48 horas há desconto, com o segundo dia saindo por 17 euros. Ambas operam dois trajetos: um que percorre as atrações do lado Sul e outro do Norte. O bilhete dá direito aos dois percursos, cujo ponto de troca de linhas fica em Valleta.

Como visitar Gozo e Comino

Da orla de Sliema há diversas opções de barcos que levam a Gozo e Comino, com passeios que podem durar um dia, combinando as duas ilhas e com serviço de “open bar” (bar aberto), incluso no preço. Basta caminhar pelo calçadão, visitar os pontos de venda, ver qual serviço e embarcação mais lhe agradam e agendar.

Diversas embarcações saem da orla de Sliema para passeios pelas ilhas de Gozo e Comino Foto: Anchieta Dantas Jr.

Em média, um passeio de um dia com open bar (água, sucos, refrigerante e cerveja) sai a 35 euros por pessoa, que foi a quantia que paguei pela Luzza Cruises e ainda ganhei de cortesia um outro passeio de barco passando por Valleta, pelo porto e as cidades de Vittoriosa, Senglea e Cospicua, as Três Cidades como são denominadas, construídas dentro de um dos maiores projetos de arquitetura militar elaborado pelos Cavaleiros de São João.

Vista de Comino desde a Ilha de Gozo Foto: Anchieta Dantas Jr.

Outra opção para chegar a Gozo é ir de ônibus de linha ou de carro até a cidade de Cirkewwa, no norte de Malta, e de lá tomar o ferry que sai a cada 45 minutos, durante todo o ano. É permitido embarcar com o veículo e a travessia dura 30 minutos. Quando lá estive, passageiros pagavam cerca de cinco euros e carros com condutores aproximadamente 15 euros o bilhete de ida e volta. De Gozo, pode-se tomar outra embarcação até Comino, que fica bem próxima.

Segurança

Malta é bastante segura. Dá pra andar na rua e de ônibus em qualquer horário do dia e da noite. Mas sempre convém ter os mesmos cuidados que você adota em sua cidade: não expor dinheiro e joias, andar com câmera fotográfica e o celular à mostra apenas em lugares com muitos turistas e evitar andar sozinho à noite em ruas escuras ou com pouco ou nenhum movimento. E nada de colocar a carteira no bolso de trás da calça, no caso dos homens.

Quando viajar para Malta

Qualquer época do ano é favorável para visitar Malta, embora no verão o país seja bastante quente (o termômetro pode marcar 35 graus célsius) e no inverno chuvoso, mas com temperaturas bem mais atraentes do que no restante da Europa nessa estação (10 a 16 graus celcius). Em minha opinião, o ideal é programar sua estada entre os meses de maio e junho ou entre setembro e outubro. Estive por lá de 20 e 26 de setembro de 2016.

O que comer e beber

A comida de Malta é uma mistura bem interessante da influência gastronômica deixada pelos sucessivos conquistadores. Por isso, você vai encontrar pratos semelhantes ao que provamos na Itália, Norte de África, ao longo do Mediterrâneo e até no Reino Unido. E, devido à localização, as receitas são essencialmente simples, baseadas em produtos sazonais e mariscos.

O que mais comi por lá foram massas e pizzas feitas com vegetais e frutos do mar e que tiveram, para mim, o melhor custo-benefício – porções generosas e preços variando entre 7 e 13 euros; e os pastizzi, espécie de deliciosos pastéis folhados recheados com ricota ou ervilha, vendidos por todo lado. Custam 30 centavos de euro cada e são uma excelente opção de refeição rápida enquanto batemos perna.

Os deliciosos pastizzi

Tem ainda o que se chama de Gbejniet, pequenos queijos redondos de cabra ou ovelha que podem vir temperados com ervas e pimenta. Vale comer acompanhado dos deliciosos pães malteses e de uma fatia de tomate, bem ao estilo local. Escutei falar ainda que há um prato a base de carne de coelho, mas não provei e nem vi com frequência.

Outra iguaria típica de Malta são os Gbejniet, pequenos queijos redondos de cabra ou ovelha que podem vir temperados com ervas e pimenta

Em Sliema e St. Julian´s há restaurantes, bares e cafés para todos os gostos e bolsos e com uma linda vista da baia, de Valleta e ainda das Três Cidades. Bastante famoso por lá é o Café Cuba, que faz as vezes de bar e restaurante e que tem bons preços. Há uma unidade em Sliema e outra em St. Julian´s.

Para acompanhar as refeições, uma boa pedida são vinhos e cervejas. Aliás, eu nem sabia que produziam essas bebidas em Malta. Alguns vinhos malteses são excelentes e o mesmo se pode dizer da Cisk, a cerveja local. A taça de vinho pode custar desde 3,50 euros e o copo de cerveja a partir do mesmo valor.

Quantos dias passar em Malta

Antes de viajar, eu fiz várias pesquisas e encontrei quem recomendasse ficar até mais de uma semana em Malta. Mas eu recomendaria de quatro a cinco dias. Cinco dias para mim foi o ideal, principalmente para poder curtir alguma praia com mais calma. Sugiro considerar seis noites por lá e cinco dias inteiros no destino. Mas fique à vontade para ficar o quanto quiser, afinal é um país muito agradável e barato para visitar.

Outras informações

Em Malta, as tomadas são do mesmo padrão utilizado no Reino Unido, ou seja, seguem o padrão inglês de três pinos chatos. Assim, sugiro levar um adaptador universal a fim de poder carregar seus eletrônicos e não ficar na mão. No comércio local também pode-se encontrar esses adaptadores.

Bem, agora que você tem a informações para começar a planejar uma visita a Malta, é hora de detalhar as atrações e dar uma sugestão de roteiro:

Cinco dias em Malta: o que ver e fazer

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2 respostas
  • Edson Carvalho
    janeiro 5, 2017

    Muito informativo e bem escrito. Muito Obrigado.

    • Anchieta Dantas Jr.
      janeiro 7, 2017

      Obrigado, Edson. E grato também por acompanhar o blog. Abraços!

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